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Colunista: Luis Felipe

O presente ignorado

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Caro desconhecido, perdoe a intromissão, mas muito me interessou uma frase sua, que pesquei enquanto conversava com outro desconhecido, talvez seu amigo, não sei, na qual você disse o seguinte “esse mundo tá perdido”.

É a octogésima vez que escuto essa afirmação. Aliás, ouço-a frequentemente, e ela às vezes vem acompanhada de outro comentário, como, “naquele tempo, era melhor”.

Ah, “esse mundo tá perdido”. Como seria maravilhoso se os nossos problemas coubessem nessa simples frase, mas creio que não seja possível.

Não nego, com isso, os problemas que temos. Temos guerras infindáveis no Oriente Médio e no leste europeu, surto de dengue, conflitos ideológicos cansativos e pobres, terremotos em Taiwan. Então, sim, é uma realidade difícil. Mas, diga, em que momento a humanidade esteve em paz? Em que momento o mundo esteve no caminho certo? Há menos de cem anos, vivíamos o terror do Holocausto. Há pouco mais de dois mil anos, o homem enviado por Deus foi assassinado numa cruz.

Caro desconhecido, a terra sempre foi um lugar de sobrevivência.

A anestesia, por exemplo, só foi inventada na metade do século XIX e deve ter chegado no Brasil – e isso para privilegiados – lá pelos anos 20. Ou seja, os dentes do meu avô foram extraídos abaixo de dor. Outro detalhe, há cem anos, sem o avanço da medicina, a expectativa de vida no Brasil era de pouco mais de 33 anos. Hoje vivemos mais de setenta anos, e com saúde.

Agora vamos pensar nos automóveis e nos meios de comunicação. Falando novamente do meu avô, ele deve ter feito muita viagem de carroça pelo interior. Hoje, as opções de transporte vão de patinetes até carros elétricos. Sobre a comunicação, meu pai e minha mãe se comunicavam por cartas. Hoje, trocam WhatsApp de um cômodo a outro.

Posso ir além: do banho de caneca ao chuveiro elétrico, da patente ao vaso sanitário, do rádio à válvula ao Spotify, do telégrafo à internet, da comida requentada na panela ao micro-ondas, do talão de cheques ao pix, dos paninhos às fraldas descartáveis, do chazinho à penicilina, dos candeeiros a querosene às lâmpadas de LED. Posso prosseguir: da orientação das estrelas à bússola, dos navios ao avião, das cavernas aos edifícios de Dubai.

Caro desconhecido, talvez nunca encontremos o caminho, então chega de idealizar o passado e criticar o presente.

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