Com o objetivo de traçar um panorama estratégico e técnico para a cadeia produtiva orizícola, o Sindicato Rural e a Associação dos Arrozeiros de Santo Antônio da Patrulha (AASAP) promoveram, na noite desta terça-feira (2 de junho), a palestra “Presente e Futuro da Lavoura Arrozeira”. O evento, realizado na sede da Agro veterinária Tradição, reuniu produtores, técnicos e lideranças regionais.
Além da participação do corpo técnico do Irga, o evento conta com o apoio e a organização de entidades fundamentais para a representatividade do campo na região. Estão à frente da iniciativa o Sindicato Rural de Santo Antônio da Patrulha e a Associação dos Arrozeiros de Santo Antônio da Patrulha (AASAP).
Os painéis foram conduzidos pelo presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Alexandre Velho, e pelo diretor comercial da autarquia, Juandres Horbes Antunes. Diante de um cenário desafiador para a safra atual, os palestrantes detalharam as projeções de mercado, estratégias de comercialização, novas tecnologias e orientações técnicas para mitigar riscos climáticos e operacionais.
Retração de área e foco na sustentabilidade econômica
A abertura dos debates trouxe um diagnóstico realista sobre a atual safra gaúcha. Conforme dados institucionais apresentados, o Rio Grande do Sul registrou uma retração na área semeada de arroz irrigado, ficando abaixo do patamar de 900 mil hectares — o que representa um recuo em relação ao ciclo anterior.
O presidente Alexandre Velho destacou que essa retração exige uma gestão ainda mais eficiente por parte do produtor. Além da redução de área, o setor enfrenta o desafio de manter os índices de produtividade devido à incidência de plantas daninhas, intempéries climáticas e flutuações nos custos de produção.
“O momento exige um equilíbrio rigoroso entre oferta e demanda. O papel do Irga é fornecer as ferramentas de pesquisa e extensão para que o produtor consiga produzir com excelência dentro da porteira e, ao mesmo tempo, tenha subsídios para tomar as melhores decisões de mercado do lado de fora”, apontou o presidente.
Escoamento e valorização do grão no mercado interno e externo
A diretoria comercial, liderada por Juandres Horbes Antunes, concentrou as atenções na comercialização. Um dos principais pontos de alerta gerados no painel foi o risco de concentração das vendas no primeiro semestre do ano. Gargalos logísticos, vencimentos concentrados de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e limitações de crédito tendem a pressionar as cotações caso haja uma oferta massiva do grão logo após o encerramento da colheita.
Para mitigar esse risco, o diretor apresentou as ações estratégicas que a autarquia vem desenhando junto a entidades parceiras, que incluem:
* Alongamento de prazos financeiros: Estímulo ao uso de instrumentos públicos e privados de comercialização que permitam ao produtor escalonar as vendas ao longo do ano;
* Fortalecimento das exportações: Foco na abertura e consolidação de novos mercados internacionais para o arroz do Mercosul, aliviando a pressão sobre as cotações internas;
* Diversificação de canais: Incentivo ao aproveitamento integral do grão e estímulo ao consumo per capita nacional por meio de programas.
Inovação no campo e manejo nas Terras Baixas
A pesquisa e a extensão rural também ganharam destaque na apresentação. Os palestrantes reforçaram a importância da adoção de técnicas de manejo sustentável recomendadas pela Estação Experimental do Irga. Foram debatidos o uso de sementes certificadas, a rotação de culturas (especialmente com a soja em terras baixas) e a eficiência no uso da água.
Outro ponto alto foi o reconhecimento do papel socioambiental do produtor de arroz gaúcho. Através de programas de certificação ambiental, o setor caminha para ser não apenas um polo de alta produtividade, mas um exemplo global de agricultura responsável e integrada.
O evento em Santo Antônio da Patrulha reafirmou que, embora o setor enfrente um período de readequação de mercado e desafios climáticos no Rio Grande do Sul, a união entre a governança técnica do Irga e a força das associações locais é o caminho para garantir a rentabilidade da lavoura e a segurança alimentar do país.