Conecte com a gente!

Palmares do Sul

Pedetistas palmarenses não concordam com orientações estaduais e pedem desfiliação do partido

Publicado

em

O Partido Democrático Trabalhista de Palmares do Sul sofreu uma baixa de 18 desfiliações na última semana. Os bastidores tensos da sigla no município é resultado de várias divergências de alguns membros com a direção estadual. Conforme o presidente do PDT em Palmares, vice-prefeito Gilmar Souza, um grupo de filiados não concordou com decisões da presidência estadual e acabou optando por deixar o partido.

“Recebemos este ano várias orientações da Executiva Estadual do PDT sobre as convenções municipais, de como prosseguir. E uma delas é que se duas chapas fossem inscritas, a eleição seria cancelada e uma nova data seria marcada para o pleito. Em Palmares, sabíamos da intenção de um grupo em concorrer, e por isso a decisão foi tomada e, consequentemente, não contentes com isso, esse pessoal acabou saindo. É bom deixar claro que isso é uma decisão estadual da sigla”, disse Gilmar.

O vice-prefeito lembrou que, caso fosse realizada a convenção, a mesma não seria reconhecida pela Diretoria Estadual. Com a não realização da eleição, uma comissão provisória, com vigência até 05 de outubro, foi criada pela cúpula estadual do PDT, composta pelo presidente Gilmar Souza, o tesoureiro Roberto Boeira, e os membros Andradina Braga Cunha, Juliana Ortiz, Milena Rocha Bitencourt Vieira, Nivalcir Rocha, e os vereadores Polon Oliveira, Elizeu Monteiro e Nenê Gil.

Ex-prefeito está entre os que saíram

Prefeito de Palmares do Sul em três oportunidades e filiado desde 1984, Luciano Santanna Bins comentou sobre sua saída do PDT. “É um sentimento de tristeza, sem dúvidas. Meu pai foi um defensor da democracia nos tempos do antigo PTB e depois MDB. Vendo e convivendo com aquilo, foi que decidi entrar para o PDT pois acreditava ser a melhor opção para isso. Mas quando a cúpula estadual nega que haja eleição, tirando a opção de outra chapa concorrer, aí as coisas ficam difíceis. Nosso grupo nunca foi ouvido pelo presidente estadual, o Ciro Simoni. Ele também nunca veio a Palmares saber o que realmente estava acontecendo, assim como coordenador regional”, comentou Luciano.
Bins também comentou que se sentiu desvalorizado pelo partido a nível regional. “Pela história que você tem dentro do partido, merecíamos ao menos ser ouvidos. Quando você se sente desnecessário, talvez seja o momento de sair. Tentamos diversas vezes contato com a diretoria estadual, mas não fomos atendidos. Sequer ouvidos. Um partido que preza pela democracia”, disse.

Perguntando se ainda poderia contribuir com a política em Palmares do Sul, Luciano disse que sim, mas de uma maneira diferente. “No momento não penso em me filiar a um partido e fazer militância, em busca de filiações e tudo mais. Isso não, até mesmo pela idade. Mas quem sabe posso acrescentar com a experiência vivida na política, algum apoio. Tenho formação em Administração Pública e Gerenciamento de Cidades, então nesse quesito talvez possa contribuir de alguma maneira”, relatou o ex-prefeito.

Alex Ferreira Cunha, militante do partido há 20 anos, onde fez parte da Executiva municipal, disse que a muito tempo o PDT vem perdendo sua identidade com a democracia. “Para nós, em Palmares, não tivemos a oportunidade de discutir o pleito anterior, se iríamos coligados ou com candidatura própria. Nos tiraram a prerrogativa em uma pré-convenção de definir tal proposta. Para este ano, a convenção aprazada para junho da mesma forma foi barrada por boatos de que haveria duas chapas. Não foi se quer lançado edital de convocação para dar oportunidade de inscrição das chapas. De uma forma ditatorial, por um presidente estadual fraco, foi feita uma intervenção onde culminou nas desfiliações. Vergonha para um partido que se diz democrático”, disse Alex, que também foi secretário de Turismo no município pelo PDT.

Vereadores comentam sobre o caso

O Jornal Integração também procurou os vereadores eleitos pelo partido nas eleições do ano passado. Polon Oliveira lamentou a saída de figuras importantes da sigla. “Tentei convencê-los a ficar, mas é uma escolha deles e temos que respeitar. É uma perda importante pois são figuras representativas em Palmares”, disse o vereador. Polon também enfatizou que a atitude dos ex-membros não interfere em sua relação com o partido e que seguirá no PDT.

Nenê Gil, segundo vereador mais votado em Palmares, comentou que tudo na vida é um ciclo e respeita a decisão dos ex-colegas de partido. “Respeito a opção destes membros em sair, mas na vida há ciclos, todos nós estamos de passagem. Perdemos algumas filiações, mas também iremos ganhar ali na frente. É assim que as coisas são. Muitos militantes do PDT eram contra a coligação com o MDB e isso gerou um desgaste muito grande com o presidente Gilmar, que acabou resistindo e defendendo a decisão da coligação. Hoje, estes mesmos que eram contra, falam na possibilidade de irem para o MDB”, comentou Nenê.

Elizeu Monteiro, que exerce seu primeiro mandato como vereador em Palmares, disse que respeita a decisão dos ex-colegas de partido. “É sempre ruim uma perda de filiados, ainda mais com nomes importantes como o ex-prefeito Luciano. Mas temos que respeitar a decisão deles. Precisamos estar unidos dentro do partido, e obrigar alguém a ficar estando descontente é complicado. Mas é de se lamentar esta perda”, disse Elizeu.



Copyright © 2021 Jornal Integração.