Colunista: Luis Felipe

O mal pelo mau

Publicado

em

Longe de mim querer transformar esta coluna em um espaço de lamentos, porém gostaria de compartilhar minhas mais recentes agruras.

Nos últimos tempos, fui atropelado por uma série de infortúnios dos mais diversos: financeiros, lutos, confusões, mudanças inesperadas. Tanto que, se eu tivesse alguma fé, este seria o momento de achar que estou sob influência de algum espírito zombeteiro ou que precisaria de um banho de descarrego.

Não é o caso. Reluto em aceitar o papel de coitado, tampouco o de homem mais azarado do universo. Coisas ruins acontecem concomitantemente com coisas boas — que, aliás, são mais abundantes —, e não deixo de ser grato por elas, pode crer. Aceitando esse fato, parto para o segundo ponto, que é o tema central desta crônica: o mal causado por pessoas más.

Conceituar o mal me parece sempre uma tarefa complicada. Afinal, o que pode ser razoável para mim, na sua visão, pode ser o ato de uma pessoa má.

Classificações genéricas e polêmicas à parte, temos o mal pré-definido: matar, roubar, trair, fazer fofoca, causar dor ou sofrimento alheio, por exemplo, são ações consagradamente más. Ninguém quer ser vítima de nenhum desses males. Agora, praticá-los, algumas pessoas conseguem — até com certo gosto.

Pois bem, deixo ao seu exercício de pensamento (ou de curiosidade) o que sofri e afirmo: fui vítima de pessoas más, que praticaram o mal. Sim, pessoas — pois tive o desprazer de cruzar o caminho de pelo menos cinco delas.

O que me dói — e me intriga — não é apenas o fato de ser alvo das maldades, mas o de não entender: para que tanto sadismo? Afinal, por que causar o mal? Para que fazer sofrer? De onde vem tanta obsessão em provocar dor e prejuízo?

Reforçando: não quero me fazer de coitado. Além disso, superei boa parte das maldades — embora elas suscitem, e mereçam, discussões e análises sérias.

Tenho a desconfiança, quase certeza, de que quem pratica o mal tem consciência plena do que faz. E ampara-se no álibi vil de imaginar que alguém a merece. E segue a sua rotina tranquilamente; transformando o mal em um hábito tão cotidiano quanto respirar.

Depois de tudo o que passei, acredito que a vida tem me dado grandes lições: preciso desconfiar mais das pessoas “boas”. Preciso, de uma vez por todas, entender que a dor do outro não dói menos que a minha. Devo entender que a comunhão pelo bem, apesar de parecer tão óbvia, ainda está muito distante da realidade.

Clique para comentar

MAIS LIDAS

Sair da versão mobile