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Editorial

Violência escolar: de quem é a culpa?

Henrique Pajares

Publicado

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Na sexta-feira, dia 17, o Jornal Integração publicou em seu site (integracaonoticias.com.br) o caso de violência ocorrido na Escola Estadual Manoel Luiz, em Palmares do Sul, cometido pela mãe de um aluno. Insatisfeita com o parecer recebido pelo filho, que irá repetir o ano, a mãe foi até a escola e ameaçou professoras e funcionárias, além de provocar danos materiais na estrutura da sala da diretora.

Rapidamente, o caso gerou grande repercussão nas redes sociais, com manifestações de repúdio contra o comportamento apresentado pela mãe do aluno. O episódio chocou a comunidade do município, pois não é típico aconteceram casos de violência nas escolas locais, principalmente partindo de uma mãe.

No entanto, este é um cenário corriqueiro em muitas escolas públicas do Brasil. De acordo com dados de uma pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre violência em escolas com mais de 100 mil professores, o Brasil lidera o ranking de agressões contra docentes. Dentre os professores ouvidos, 12,5% afirmaram ser vítimas de agressões verbais ou intimidações de alunos.

A violência no ambiente escolar ocorre de diversas formas, seja pelo bullying ou por manifestações mais extremas, até com mortes, como ocorrido em Suzano (SP). A violência contra professores é mais uma forma de violência que, infelizmente, parece normalizada pela falta de debate ou de propostas práticas para lidar com o problema. Quando nos deparamos com qualquer tipo de manifestação de violência na escola, surge a pergunta: mas, afinal, de quem é a culpa? Da família ou da escola?

O que esperar de um aluno que tem como exemplo pais que não sabem dialogar e preferem resolver tudo com briga e confusão? Uma criança ou adolescente bem orientado pelos pais, que tem na sua família o apoio e o diálogo necessário para lidar com as questões do dia a dia, principalmente escolares, também se tornará agressivo?

É complexo responder a perguntas como essas justamente por não haver uma única resposta. A educação de um indivíduo se dá principalmente de três formas: pela família, responsável pela socialização primária, pela escola, local onde a criança passa a conhecer a vida coletiva, e pela sociedade, com suas múltiplas influências culturais e sociais.
Portanto, não se trata de responsabilizar uma ou outra, mas sim de reconhecer os diferentes papeis de cada uma e atuar em parceria para que de forma intencional tenhamos como base o convívio social pacífico, o respeito, o olhar atento para manifestações preocupantes relacionadas à saúde mental, o aprendizado sobre como resolver os nossos conflitos e a capacidade de reconhecer as nossas emoções para que saibamos reagir a elas sem violência verbal ou física.

Além disso, o poder público pode oferecer propostas e subsídio financeiro para o desenvolvimento de projetos voltados à cultura de paz nas escolas e apoiar o diagnóstico sobre a cultura escolar em diferentes instituições para que, assim, medidas preventivas possam ser adotadas.

  • Editorial Jornal Integração 24/01/2020

Editorial

A vacina contra o Covid não precisa ser obrigatória

Henrique Pajares

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Enquanto o mundo inteiro espera pela vacina contra o coronavírus para poder voltar a vida normal, uma grande discussão se levantou no Brasil quando o presidente Jair Bolsonaro afirmou que ela não será obrigatória. Como sempre, muitas críticas foram direcionadas ao presidente. No entanto, após sete meses de pandemia, não há notícia de que nenhum país tenha declarado oficialmente que tornará a vacina obrigatória.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomenda que a aplicação de vacinas contra covid-19 seja obrigatória em qualquer país e se diz contra toda e qualquer medida autoritária neste sentido.
No Brasil, ao nascer, toda criança recebe o caderno de vacinação com orientação de todas as vacinas que o bebê deve tomar nos primeiros anos de vida, sendo parte delas obrigatória e regulada pelo Programa Nacional de Imunizações. No entanto, sabe-se que não é cumprido à risca e um exemplo são os dados do Ministério da Saúde deste ano, que apontam que os percentuais de crianças com a carteira de vacinação em dia não ultrapassaram a marca de 50 a 60%, e a pandemia pode ter contribuído para isso.

Obrigar uma pessoa a se vacinar não é o melhor caminho para conquistar a imunidade da população, mas sim sempre ofertar e explicar a importância do procedimento tanto para si próprio quanto para os outros.

Para alguns especialistas, em situação de crise de saúde pública, é possível que haja obrigatoriedade, inclusive porque a legislação abre essa perspectiva. Mas eles acreditam que a vacinação compulsória não será necessária, pois a população quer se imunizar. E caso se comprove a segurança e eficácia da vacina, não haverá necessidade de obrigatoriedade, pois a busca será voluntária e volumosa. É mais possível que falte doses do que candidatos.

Portanto, esperamos que as decisões de políticas públicas referentes à vacinação contra covid-19 sejam definidas a partir das aprovações e dos testes. As falas de autoridades e a rusga política em torno das vacinas, não podem atrapalhar os trabalhos, pois acreditamos que a grande maioria está ansiosa por retomar sua vida normal. E neste momento, a vacina é a esperança.

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Editorial

Uma pausa para ser feliz

Henrique Pajares

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Depois de tantas semanas falando sobre temas polêmicos relacionados a coronavírus, economia, política e outros, hoje decidimos “arejar” e falar um pouco sobre felicidade. Não que todos os problemas estejam resolvidos, mas tem horas que precisamos parar e respirar, para não absorver tanto para nossas vidas. Os problemas sempre existiram e nunca vão deixar de estar presentes em algum momento. Com toda certeza, 2020 tem sido um ano desafiador para todo mundo e por esta razão achamos válido fazer esta pausa para descansarmos um pouco.

Hoje vamos falar dos hormônios da felicidade. Endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina são quatro hormônios presentes no corpo humano que, juntos, podem ser chamados de “Quarteto da Felicidade”. Ainda que fundamental para nosso bem-estar emocional, a produção destes elementos não é algo contínuo. É necessária uma condição específica para a construção e manutenção destes hormônios. O “Quarteto da Felicidade” pode influenciar no equilíbrio emocional com pequenas atitudes no dia a dia.

Psicólogos e psiquiatras definem a endorfina como uma espécie de analgésico natural, pois a euforia provocada por ela esconde parcialmente a dor que podemos sentir. Coisas simples, ao alcance de qualquer pessoa, podem produzir sensações de felicidade, como comer algo saboroso, dançar, cantar ou assistir um filme liberam a endorfina no sistema nervoso central. Já tomar sol, receber mensagens ou ainda praticar exercícios físicos aumentam os níveis da serotonina. O amor, a amamentação e a vida sexual ativa são ambiente propício para elevar a dopamina. Já um simples abraço pode desencadear a elevação da oxitocina no nosso corpo.

Quando nos colocamos em situações de estresse – cenário bem provável nos últimos meses diante de todos os acontecimentos – corremos o risco de aumentar ou diminuir o cortisol no nosso organismo, que tem papel fundamental no metabolismo das proteínas, lipídeos e hidratos de carbono, gerando impacto direto nos níveis de glicose no sangue, na regulação da pressão arterial e do sistema imunológico. O cortisol em altos níveis pode causar perda de massa muscular, aumento de peso ou diminuição de testosterona. Já em baixos níveis pode provocar depressão, cansaço ou fraqueza.
Se todos os dias, ao menos uma dessas ações pudessem ser feitas pelas pessoas, a chance de desenvolvimento de doenças mais sérias seria bastante diminuída, afirmam os psiquiatras.

Já aproveitou o sol hoje? Dez minutinhos já são suficientes. Um bom fim de semana a todos, que para nossa sorte, será de muito sol.

  • Editorial Jornal Integração 18/09/2020

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Editorial

Distanciamento controlado entra na fase política

Henrique Pajares

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Nesta semana, o modelo de Distanciamento Controlado, criado pelo governo do Estado em maio, passou claramente para a etapa “política”. Isso porque, após inúmeras contestações de prefeitos todas as semanas, o governador aprovou novas mudanças e regras menos restritivas para as regiões de bandeira vermelha, permitindo abertura em horário reduzido do comércio não essencial, restaurantes e parte dos serviços. As mudanças não foram pacíficas, pois há o embate técnico x político dentro do governo. Anunciado como uma inovação de combate ao novo coronavírus, o modelo começou a ser implementado com uma rigorosa estrutura de cruzamento de dados e indicadores. Mas, com o passar do tempo, os dados técnicos foram perdendo cada vez mais espaço para as contestações sucessivas de prefeitos, as pressões de entidades empresariais e as reclamações de deputados e lideranças políticas aliadas.

Com intuito de diminuir as reclamações, o governador começou a realizar flexibilizações sucessivas, mesmo contra os pareceres técnicos definidos para as regiões do Estado. Mas, ao invés de acalmarem prefeitos e setores produtivos, elas fizeram aumentar as pressões. Conforme alguns deputados aliados, apesar do carisma e da segurança com que vem conduzindo o enfrentamento à pandemia, o fato do governador não pertencer a uma sigla estruturada o suficiente no Estado para fazer frente as outras grandes, faz com que ele não tenha alta popularidade nos municípios de oposição. Por melhor que seja uma política, qualquer governante precisa ter onde se apoiar.

Esse vai e vem na mudança de cores das bandeiras, mostra claramente que ganha quem “fala mais alto” e tem mais poder e influência junto ao governo, principalmente por intermédio dos deputados, que detém sua base eleitoral nas grandes cidades do interior do Estado. O modelo de Distanciamento Controlado, no início muito aplaudido por todos, agora está desgastado.

Em ano de eleições municipais era quase óbvio que os prefeitos não aguentariam a pressão dos empresários e comerciantes. No entanto, também não querem a responsabilidade total para si. É difícil governar diante de tanta pressão e insatisfação da população, mas o que vemos hoje é um Rio Grande do Sul totalmente dividido, entre aqueles que são a favor da retomada da “vida normal” e aqueles que acham que ainda não é hora de relaxar as medidas e protocolos de prevenção.

Quando a vida vai voltar ao normal, não sabemos. Só esperamos que seja logo.

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